
Trecho do livro "A arte de correr na chuva", de Garth Stein, Ed. Ediouro, 2008.
Estou lendo este livro, e cada capítulo fico mais encantado pelo protagonista, Enzo, um cachorro labrador, e pela história como um todo. Diante disto, vou publicar alguns trechos para compartilhar.
Nesse momento da história, Enzo, o cachorro que narra a história, descobre que a esposa de seu dono (Eve) faleceu. Estão ele e seu dono (Denny) em um park e Enzo sai correndo após a notícia:
"Os galhos e as folhas açoitavam meu rosto. A terra bruta machucava minhas patas. Entretanto, corri até ver o que precisava ver. Um esquilo. Gordo e complacente. Comendo os restos de um pacote de salgadinho. jogando as migalhas estupidamente na boca. E descobri recôndito mais negro da minha lama um ódio que nunca tinha sentido antes. Eu não sabia de onde vinha, mas estava lá, e eu corri atrás do esquilo. Ele ergueu os olhos muito tarde. Percebeu minha presença tarde demais para quem queria viver, e eu o ataquei. Ataquei o esquilo e ele não teve chance. Fui implacável. Enfiei as garras, quebrando suas costas, meu dentes penetraram sua pele e eu o sacudi até a morte, até ouvir o barulho do seu pescoço se partindo em dois. E então o comi. Eu o abri com m ihas garras, meu incisivos; eu o abri e fiquei coberde de sangue, muito sangue, quente e rico, bebi sua vida e comi suas entranhas e triturei seus ossos, e os engoli. Esmaguei seu crãnio e comi sua cabeça. Devorei o esquilo. Eu tinha que fazer isso. Sentia tanta falta de Eve que não poderia mais ser humano e seintir a dor que os humanos sentem. Tinha que ser um animal de novo. Devorei, me fartei, engoli tudo, fiz tudo que não deveria ter feito. Minha tentativa para viver de acordo com os padrões humanos não havia ajudado Eve em nada; eu comi o esquilo por Eve.
Dormi nos arbustos. Algum tempo depois ressurgi, eu mesmo de novo. Denny me encontrou e não disse nada. Ele me levou para o carro. Entrei no banco de trás e peguei no sono novamente, de imediato. Com o gosto de sangue do esquilo que eu havia matado ainda fresco em minha boca, dormi. E, enquanto dormia, sonhei com corvos.
Eu os perseguia; eu os pegava; eu os matava. Fiz isso por Eve."
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