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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dois segundos

"Eu tenho fé na força do silêncio"
(Gessinger/Leindecker)


E, então, começou toda aquela função de aula, palestra, chá de cadeira, opiniões e informações sendo construídas e destruídas: uma teia de conhecimentos sendo mal digeridas. Surgindo uma relação de amor e ódio com tudo que ali estava sendo exposto. Soco no estômago: aquele que chega a doer a parte interna das costelas, sabe? um soco com aquela informação que era tão cotidiana, mas que foi concretizada em palavras. E assim foi pelos meses que se sucederam as aulas. Bom, o importante não foi isso. O mais importante foi pegar o elevador e descer ao térreo: aquele elevador ficou tão belo, tão leve, tão cheiroso... em câmera lenta: como eram lindos aqueles olhos pequenos e verdes, como eram lindos aqueles braços esguios, como era linda aquela região entre o olho e o início do cabelo. Entre olhos via aquele conjunto de tanta beleza, chegava a ver seu interior: como era querido e inteligente, fugaz e seu olhar demonstrava admiração recíproca, um olhar também de entre olho que me analisava e buscava compreender-me e procurava a palavra certa para quebrar o silêncio e fazer aquele elevador acelerar, ou, simplesmente, voltar à sua velocidade normal. Até que a análise e o silêncio foram quebrados pelo “oi”. Foram longos e intensos dois segundos de silêncio.

Tatyana Chuvasheva - Татьяна Чувашева

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