"Eu tenho fé na força do silêncio"
(Gessinger/Leindecker)
E, então, começou toda aquela função de aula, palestra, chá de
cadeira, opiniões e informações sendo construídas e destruídas: uma teia de conhecimentos
sendo mal digeridas. Surgindo uma relação de amor e ódio com tudo que ali
estava sendo exposto. Soco no estômago: aquele que chega a doer a parte interna
das costelas, sabe? um soco com aquela informação que era tão cotidiana, mas
que foi concretizada em palavras. E assim foi pelos meses que se sucederam as
aulas. Bom, o importante não foi isso. O mais importante foi pegar o elevador e
descer ao térreo: aquele elevador ficou tão belo, tão leve, tão cheiroso... em
câmera lenta: como eram lindos aqueles olhos pequenos e verdes, como eram
lindos aqueles braços esguios, como era linda aquela região entre o olho e o
início do cabelo. Entre olhos via aquele conjunto de tanta beleza, chegava a
ver seu interior: como era querido e inteligente, fugaz e seu olhar demonstrava
admiração recíproca, um olhar também de entre olho que me analisava e buscava
compreender-me e procurava a palavra certa para quebrar o silêncio e fazer
aquele elevador acelerar, ou, simplesmente, voltar à sua velocidade normal. Até
que a análise e o silêncio foram quebrados pelo “oi”. Foram longos e intensos
dois segundos de silêncio.
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| Tatyana Chuvasheva - Татьяна Чувашева |

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